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16 de jan. de 2013

Resenha: Criança 44


Sinopse:
União Soviética, 1953. A mão de ferro de Stalin nunca esteve tão impiedosa, reforçada pela Segurança do Estado - polícia secreta cuja brutalidade não é segredo para ninguém. Em seu governo, o líder soviético faz o povo acreditar que o país está livre de crimes.
Mas quando o corpo de um menino é encontrado nos trilhos de uma ferrovia, Liev Demidov - herói de guerra e agente do Estado - se surpreende ao saber que a família da vítima está convencida de que a criança fora assassinada. Os superiores do oficial ordenam que ignore a suspeita, e ele é obrigado a obedecer. Mas o agente desconfia de que há algo muito estranho por trás do caso.
De uma hora para a outra, Liev coloca em dúvida sua confiança nas ações e políticas do Partido. E agora, arriscando tudo, o agente se vê na obrigação de ir atrás do terrível assassino - mesmo sabendo que está prestes a se tornar um inimigo do Estado.
Opinião da leitora que vos escreve:
Definitivamente este é um livro para quem gosta de romance policial, perseguição e mistérios. Eu adorei! 
Descobri Tom Rob Smith, o autor, quando procurava comprar A Menina Que Roubava Livros e, em meio à minha confusão com as capas, peguei Criança 44. Li a sinopse, fui ver quem era o autor e me deparei com "teve os direitos de adaptação para o cinema comprados pelo cineasta Ridley Scott" (caso não conheçam, um filme altamente recomendado do diretor é Blade Runner, vejam, vejam, vejam!). Olha, como estudante de cinema, isso foi suficiente para me convencer e acabei comprando o livro, deixando Markus Zusak e sua menina ladra para depois...
O romance conta as mazelas da população soviétiva durante a ditadura stalinista, com um protagonista que se posiciona a favor do Estado e inclusive oprime em seu nome. Liev Demidov confia no plano de futuro pintado por Stalin, acaba levando sua esposa (Raíssa) no mesmo barco, achando que suas opiniões são compartilhadas. 
O assassinato do menino demonstra que a União Soviética tem sim crimes, que isso não é coisa apenas de países chamados "desiguais e capitalistas", mas que o Estado não os controlava. Isso era inadmissível e os oficiais são orientados a deixar quaisquer investigações de lado. Liev se vê no meio de uma investigação com iniciativa pessoal que pode lhe custar seu posto, posição social e bem-estar familiar.
O assassinato se revela um entre uma série de crimes em circunstâncias estranhas, sempre próximos a ferrovias. Liev e sua esposa investigam as mortes e vão, ao longo do livro, entendendo o que nunca entenderam um sobre o outro e revelando as mentiras nas quais o casamento dos dois era construído. 
Sem estragar o fim do livro, posso adiantar que Liev e Raíssa constroem e destroem abismos entre si, buscando a identificação como um casal, ao mesmo tempo em que correm riscos ao serem perseguidos pelo Estado soviético. Será preciso que os dois revisitem o passado de Liev para descobrir o assassino e as motivações dos crimes, a partir das pistas deixadas pelo serial killer. 
Vale a observação: os crimes que motivaram o romance a ser escrito são baseados em um acontecimento real e contaram com pesquisas e estudos do autor. O segundo romance de Tom Rob Smith é O Discurso Secreto e é uma continuação de Criança 44 (que inaugurou o que virá a ser uma trilogia),  seguindo os mesmos personagens centrais em uma trama diferente ambientada no declínio da União Soviética.
Por Ju Oliveira