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17 de abr. de 2013

O Pequeno Príncipe: 70 anos

Neste mês de abril, o livro infantil mais querido faz aniversário! A obra do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry completa 70 anos de encantamento e reflexão. Acredito que a maioria conheça a obra, mas pra quem não conhece, vamos lá!

O Pequeno Príncipe
Editora: Agir
Autor: Antoine de Saint-Exupéry
ISBN: 8522005230 
Formato: 22x16 cm
Número de páginas: 98
Sinopse:
O Pequeno Princípe devolve a cada um o mistério da infância. De repente retornam os sonhos. Reaparece a lembrança de questionamentos, desvelam-se incoerências acomodadas, quase já imperceptíveis na pressa do dia-a-dia. Voltam ao coração escondidas recordações. O reencontro, o homem-menino. Pela mão do pequeno princípe, recupera a meninice abrindo uma brecha no tempo, volta a sentir o perfume de uma estrela , a ouvir a voz de uma flor, a ver o brilho de uma fonte, escutar os guizos das folhas batidas pelo vento. Quebra-se por momentos a crosta que generaliza o outro em todos e torna as coisas comuns e iguais para se descobrir os carneiros dentro das caixas, os elefantes dentro das serpentes. Uma leitura inesquecivél para todas as idades.

Por mais que seja um livro infantil, a compreensão de seu conteúdo não é brincadeira de criança. Apesar de uma linguagem clara que permite a compreensão de todos, as ideias e questionamentos apresentados no livro estão longe de serem superficiais. Já parou para se perguntar de onde aquela criança que você conhece tirou tantas perguntas difíceis de responder? Então, O Pequeno Príncipe é cheio de perguntas de conteúdo filosófico e reflexões encaminhadas de forma simples indicando a direção de uma profunda complexidade. Como o próprio autor diz, é "um livro urgentíssimo para adultos"!
O livro além de um conteúdo literário de peso, apresenta lindas ilustrações. As originais foram feitas pelo próprio autor que, além de povoarem as lembranças de infância de muita gente, também inspiraram tatuagens de diversas gerações! Quem quiser, pode conferir o conteúdo digital no Google Docs com as ilustrações originais.
Mesmo quem não gosta de ler vai se apaixonar por essa leitura!

Por Ju Oliveira

16 de jan. de 2013

Resenha: Criança 44


Sinopse:
União Soviética, 1953. A mão de ferro de Stalin nunca esteve tão impiedosa, reforçada pela Segurança do Estado - polícia secreta cuja brutalidade não é segredo para ninguém. Em seu governo, o líder soviético faz o povo acreditar que o país está livre de crimes.
Mas quando o corpo de um menino é encontrado nos trilhos de uma ferrovia, Liev Demidov - herói de guerra e agente do Estado - se surpreende ao saber que a família da vítima está convencida de que a criança fora assassinada. Os superiores do oficial ordenam que ignore a suspeita, e ele é obrigado a obedecer. Mas o agente desconfia de que há algo muito estranho por trás do caso.
De uma hora para a outra, Liev coloca em dúvida sua confiança nas ações e políticas do Partido. E agora, arriscando tudo, o agente se vê na obrigação de ir atrás do terrível assassino - mesmo sabendo que está prestes a se tornar um inimigo do Estado.
Opinião da leitora que vos escreve:
Definitivamente este é um livro para quem gosta de romance policial, perseguição e mistérios. Eu adorei! 
Descobri Tom Rob Smith, o autor, quando procurava comprar A Menina Que Roubava Livros e, em meio à minha confusão com as capas, peguei Criança 44. Li a sinopse, fui ver quem era o autor e me deparei com "teve os direitos de adaptação para o cinema comprados pelo cineasta Ridley Scott" (caso não conheçam, um filme altamente recomendado do diretor é Blade Runner, vejam, vejam, vejam!). Olha, como estudante de cinema, isso foi suficiente para me convencer e acabei comprando o livro, deixando Markus Zusak e sua menina ladra para depois...
O romance conta as mazelas da população soviétiva durante a ditadura stalinista, com um protagonista que se posiciona a favor do Estado e inclusive oprime em seu nome. Liev Demidov confia no plano de futuro pintado por Stalin, acaba levando sua esposa (Raíssa) no mesmo barco, achando que suas opiniões são compartilhadas. 
O assassinato do menino demonstra que a União Soviética tem sim crimes, que isso não é coisa apenas de países chamados "desiguais e capitalistas", mas que o Estado não os controlava. Isso era inadmissível e os oficiais são orientados a deixar quaisquer investigações de lado. Liev se vê no meio de uma investigação com iniciativa pessoal que pode lhe custar seu posto, posição social e bem-estar familiar.
O assassinato se revela um entre uma série de crimes em circunstâncias estranhas, sempre próximos a ferrovias. Liev e sua esposa investigam as mortes e vão, ao longo do livro, entendendo o que nunca entenderam um sobre o outro e revelando as mentiras nas quais o casamento dos dois era construído. 
Sem estragar o fim do livro, posso adiantar que Liev e Raíssa constroem e destroem abismos entre si, buscando a identificação como um casal, ao mesmo tempo em que correm riscos ao serem perseguidos pelo Estado soviético. Será preciso que os dois revisitem o passado de Liev para descobrir o assassino e as motivações dos crimes, a partir das pistas deixadas pelo serial killer. 
Vale a observação: os crimes que motivaram o romance a ser escrito são baseados em um acontecimento real e contaram com pesquisas e estudos do autor. O segundo romance de Tom Rob Smith é O Discurso Secreto e é uma continuação de Criança 44 (que inaugurou o que virá a ser uma trilogia),  seguindo os mesmos personagens centrais em uma trama diferente ambientada no declínio da União Soviética.
Por Ju Oliveira